sábado, 2 de janeiro de 2010

Os Votos


Esta mensagem me foi enviada pela amiga Ivete. Atribuída à Victor Hugo, fiquei um tanto surpreso pelo fato de o corcundinha Quasímodo não a conhecer, já que esta criatura procurou se inteirar de toda a obra de seu criador.

Ivete foi à luta, e encontrou o seguinte comentário no site http://victorhugo200anos.vilabol.uol.com.br/obras.htm : “A poesia denominada por vcs de Desejo, na verdade é de autoria de Sergio Jockyman, escritor e jornalista gaucho ainda vivo, se chama na verdade Os Votos, e foi publicada na década de 80 no jornal Folha da Tarde, em Porto Alegre. Gostaria de um mail de contato da Prof de francês q ajudou no trabalho. Se vcs não conseguirem provar a autoria deVitor Hugo, façam a gentileza de colocar no site uma retratação e logo após retirem a poesia, ok? Para comprovar por enquanto a autoria de Sergio Jockyman basta acessar o site de uma leitora de MG: www.felicidadetupinamba.com.br, q carinhosamente fez as palavras de meu pai as dela! Agradeço a atenção. Karel Jockyman.”

Quasímodo também buscou informações e descobriu que no Site http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Politicos/B_SergioJockyman.htm é desfeito definitivamente o equívoco: “IMPORTANTE: esta poesia, de autoria de Sergio Jockymann, publicada em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, circula na internet como sendo de autoria de Victor Hugo, e assim foi publicada originalmente em nosso portal, com o título 'Desejos'. Contactados pelo verdadeiro autor, com muito prazer desfazemos o equívoco, estabelecendo os créditos a quem de direito.”

Assim sendo, pela sua beleza, vai ela aqui publicada, com os créditos atribuídos ao conterrâneo gaúcho, já que o site citado acima a retirou de seu espaço, o que evidencia não terem eles conseguido comprovar a autoria de Victor Hugo. Mas fica aqui o convite: se alguém tiver mais informações à respeito, a Torre agradece.
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Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.


Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar..

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Feliz 2010 aos amigos

Imagens:

http://melhoresdaweb.com

http://meusrecados.com

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6 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Gandacorcunda

Venho hoje aqui para te dizer que continuo a visitar-te, continuo a gostar de o fazer, continuo a achar excelente o teu blogue, continuo teu Amigo. E espero continuar assim durante este 2010 em que já estamos. A maior parte das vezes, não deixo cumentários, com o, porque não chego para as encomendas…

Muito obrigado pelo que me deste, que foi muito, e a que eu talvez não tenha correspondido como tu mereces. Vou tentar ser um pouquinho melhor nos 363 dias que se seguem. Mas, não prometo nada. Sou um malandro. Bom? Penso que menos mau… De qualquer maneira, oxalá o novo ano te traga o que entenderes melhor.

E peço-te desculpa por este ser um texto comum. Com a quantidade de gente como tu, não podia ser de outra maneira. Não sou uma centopeia, para chegar a toda a parte, muito menos um deus para ser omnipresente. Espero por ti, sempre que queiras visitar-me na minha Travessa.

Abs

uns olhos... disse...

olá, corcundinha!

gosto desses textos esclarecedores. hoje em dia tem sido muito comum ver palavras de uns sendo atribuídas a outros...
há uma certa leviandade nessas coisas. já vi tantos absurdos por aí. tenho a impressão de que as pessoas não querem ter o trabalho de confirmar a autoria de certos textos.
vi uma vez, num pps, ser atribuído a paulo coelho um texto de paulo de tarso (o último apóstolo de Jesus).
parabéns pela publicação!
beijo cheio de carinho...

krika disse...

Amigo Quasímodo.
Interessante o assunto de hoje. A questão direitos autorais na baila novamente. Defendo muito,inclusive.
Seu papel, a meu ver,foi corretíssimo. Desfez-se um equívico na autoria do poema. No mais, minha experiência "bloguiana" verifcou que alguns internautas desconhecem etiqueta e muito menos que são obrigados a indicar a fonte de sua pesquisa. As vezes por desconhecimento mesmo, sem maldade. Lógico que há este outro lado, a da inveja e o da posse!
Lembro-me do saudoso Artur da Távola,que tinha uma crônica dita ser do Drumonnd. Eu mesma tenho a crônica num livro didático e na época reportei ao cronista, que com muita propriedade, interviu junto a editora e resgatou sua autoria.Logo depois ele e eu fomos agraciados pela editora com uma nova edição.Como vê, o autor tem que correr atrás. No mundo sibernético ,então, isso é tão comum,infelizmente. Cabe a nós avisarmos a quem de direito, e desfazer o equívoco,assim como você fez.

Quasímodo disse...

Amigo Henrique;
Lá pelos meados do finado 2009, aventurei-me a escrever em capítulos na modesta Torre onde me refugio nas letras. Com certeza que não com a tua competência, verve e graça, mas cada um dá o que tem!
Tratei, então, do resgate da história dos balseiros, atividade econômica fundamental para esta região e para a época.
A maioria dos meus leitores (uns quatro ou cinco) consideraram equivocada a mídia e o formato utilizados.
Diziam eles perderem o fio da meada entre uma postagem e outra. E que, quem chegava na postagem atual não entendia o enredo, por lhes faltar a construção anterior.
Mas nem tudo foram espinhos; alguns poucos aguardavam a edição seguinte.
Agora vejo que também tu adotastes um formato semelhante para descreveres essas passagens. Penso que entenderá a dimensão completa de teu relato, quem, como eu, for teu (per)seguidor fiel.
De ora em diante estufarei o peito e direi aos críticos: "Vejam, o mestre AEFE também postou em capítulos".
A idéia de um novo livro não é absurda. (Aliás, um passarinho verde me contou que há tratativas para a Picada chegar por aqui).

Perdoe-me se me alongo, mas como também centopéia não sou, quando me calha um tempinho para cumentar, com o, tento chegar para as encomendas. Não chego. Há tanto mais a dizer.

Que o ano novo também te traga o que entenderes melhor, apesar de ter lido por aí que não levas muita fé.

Obrigado pela visita à Torre. Grande abraço.

PS: (que não é o Partido, nem de lá, nem de cá) Não existem textos comuns quando externamos afetos.

Quasímodo disse...

Queridíssima Uns...

Trocar Paulo por Paulo até é desculpável, apesar da diferença cronológica. Mas Tarso por Coelho?...
Vou atribuir à Dona Jesus, a célebre frase: "Deixai vir à mim as criancinhas"... Terei errado menos.

Beijo daqui. Também cheio de carinho.

Quasímodo disse...

Krikita, parceira;

O interessante foi que a própria amiga Ivete buscou o esclarecimento. Ela mesma também havia recebido o poema como de autoria de Victor Hugo, e gentilmente repassou.
Logo enviou-me um e-meile dando conta da controvérsia, agora esclarecida.

Concordo contigo quando dizes que as pessoas não fazem por maldade. Mas que existem apropriadores sorrateiros, ah, existem.

Felizmente temos pessoas atentas como tu.

Recentemente foi lançado um livro didático, de geografia, em que o Brasil fazia fronteira com dois Paraguais... Um à oeste e outro ao sul. Foram descobrir o erro no segundo semestre do ano letivo.

Já tinha gente indo para Rivera buscar muamba, pensando estar indo para Ciudad del Este.

Confusões....

Grande abraço, amiga. E que possamos estar juntos novamente em 2010.

 
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