domingo, 7 de fevereiro de 2010

Recicriar - Mais um projeto da Krika a apoiar


O HÁBITO SAUDÁVEL DA LEITURA E AFINS
Olá pessoal da Torre!

Estamos reiniciando mais um ano letivo.

Retomarei o projeto “Estímulo À leitura”, somando-o a novas idéias.

Desta vez, vamos ajudar nosso planeta, trazendo leituras de conscientização, concretizando esses conceitos através do artesanato.

“A Educação Ambiental anda de "braços dados" com a Educação Artística pelo fato de podermos utilizar o recurso da reciclagem ao desenvolvermos trabalhos artísticos com sucata, salientando que utilizando a sucata estaremos poupando os recursos naturais).”

“Quando se fala em "meio ambiente" as pessoas pensam em florestas, longe do ambiente em que vivem.
Como mudar esta visão e mostrar que educação ambiental é educar para melhorar o ambiente em que se vive?
Como trabalhar com o aluno, que tem educação ambiental, mas que, ao sair da escola, não vê o mesmo tratamento do ambiente. (exemplo: falar de coleta seletiva, mas seu bairro não faz coleta). Geralmente educação ambiental é voltada às crianças. Mas como educar os adultos?

Precisamos entender que meio ambiente não é algo fora de nós, ou simplesmente uma paisagem natural, com rios límpidos e florestas verdejantes.” Professora Berenice Gehlen Adams

Projeto Recicriar
A idéia do artesanato através do reaproveitamento de sucatas surgiu diante dessa pergunta básica: O que eu estou fazendo para o planeta?

Somei a literatura com as artes e as adequei as necessidades para dinamizar as aulas de Linguagem com os alunos do Tempo Integral.

De todas as opções ditas terminais em relação ao tratamento do lixo, a reciclagem é considerada a mais adequada, por razões ecológicas e também econômicas: diminui os acúmulos de detritos na natureza e a reutilização dos materiais poupa, em certa medida, os recursos naturais não renováveis.

A reciclagem é uma forma de reintroduzir o lixo no processo industrial, retirando assim do "fluxo terminal" os resíduos cujos destinos seriam os aterros, a incineração ou a compostagem. Ao consumir os produtos com eles elaborados, estamos "consumindo o lixo" e, dessa forma, contribuindo para diminuir a demanda de recursos naturais que pressionam os ecossistemas.

Adotar a reciclagem significa ainda assumir um novo comportamento diante do ambiente, conservando-o o máximo possível. Como proposta de educação ambiental, a reciclagem ensina a população a não desperdiçar, a ver o lixo como algo que pode ser útil e não como uma ameaça.

Cidadania e reciclagem:
A ideia que o lixo pode ser jogado no rio, nas ruas ou em qualquer lugar público ou abandonado deve ser banida. Precisamos apontar um caminho para contagiar a sociedade como um todo, no sentido de darmos um destino adequado ao lixo que produzimos: Nesta caminhada, descobrimos que a melhor maneira de sensibilizar as pessoas é associando a coleta seletiva e a reciclagem ao exercício de cidadania.

A desconstrução da cultura de que lixo não presta, é coisa suja, se dá a partir da descoberta da população de que aquilo que eles pensavam que não prestava, serve para alguém, vai ser transformado em algo que vai ajudar alguém. É puro exercício de ecocidadania.

Concluindo:
Existem inúmeras possibilidades de estimular a leitura, e também inúmeras vantagens. Uma delas é esta: acudir o planeta.

Partirei do seguinte propósito: jogar fora o mínimo necessário. Logicamente, um trabalho artesanal numa sacola de papel também vai acabar virando lixo, sem dúvida, mas estaremos dando mais um tempo útil a ela, ensinando a não gerar matéria prima desnecessária, economizando nosso tão suado dinheiro, entre outros afins.

Com este proposta, já estive fazendo campanhas pela vizinhança, solicitando sucatas em papel e vidros.

Existem surpresas até em pedir colaboração. Acreditem!

Tenho observado e registrado muitas experiências positivas, outras nem tanto, mas ao final, tenho certeza que estarei fazendo a minha parte.
E você, caro leitor da Torre, já pensou nisto?


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Fotos:


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domingo, 31 de janeiro de 2010

Quero-quero e Barbosa Lessa


A Lu, em comentário na postagem anterior, trouxe a letra de uma música de Barbosa Lessa. Isso me levou a aprofundar o assunto e postar novamente sobre o mesmo tema.




QUERO-QUERO

Neusa M. B. Secchi.

Pela Lei n 7.418, de 1º de dezembro de 1980, o Estado do Rio Grande do Sul instituiu, como sua Ave-símbolo, o Quero-Quero, cujo nome científico é Venellus chilensis. Popularmente, também é conhecido como “térem-terém”, ou “téu-téu”.

O quero-quero tem voz extremamente estridente. Adota, às vezes, a tática de pescar, semelhante a certas garças, espantando larvas de insetos e peixinhos ocultos na lama, mexendo rapidamente um pé. É comum em todo o folclore brasileiro, de Norte a Sul, participar de cantos, estórias, tradições. Também é cantado e citado em poemas regionais do Rio Grande do Sul.

Rui Barbosa, em 1914, incluiu-o num discurso célebre pela vivacidade maliciosa e originalidade da sátira. Evocou a “figura imperatória do quero-quero, o chantecler dos potreiros. Este pássaro curioso, a que a natureza concedeu o penacho da garça real, o vôo do corvo e a laringe do gato, tem o dom de encher os descampados e sangas das macegas e canhadas com o grito estrídulo, rechinante, profundo, onde o gaúcho descobriu a fidelíssima onomatopéia que o batiza”.

Ave tradicional dos campos gaúchos, com o chamativo de preto, branco e cinzento na plumagem, o penacho na cabeça com cauda branca e os olhos vermelhos. O quero-quero é facilmente encontrado em todas as estações do ano, em qualquer parte do Estado onde existe um pedaço pequeno de seu habitat preferido, o campo.

Vive em casais e a fêmea normalmente põe de três a quatro ovos em campo aberto. O casal defende rigorosamente seu território de criação, com vôos rasantes, atacando os intrusos. Possui um esporão pontudo, ósseo, no encontro da asa e que pode ser usado para a sua defesa.

Vê-lo cruzando no céu ou ouvi-lo cantando ao longe é como receber boas-vindas por estar no RS. Chamado de “Sentinela dos Pampas”, está sempre em alerta, noite e dia, dando sinais a grande distância de quem se aproxima.
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Se um grito de ferro açoite
Quero-quero vai voando
Estruge no ar austero,
E os esporões vai batendo;
Não tremas, é o quero-quero
Quero-quero quando grita,
Que vem dar-te a boa noite
Alguma coisa esta vendo.

Simões Lopes Neto (Cancioneiro Guasca)
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LENDA DO QUERO-QUERO

Quando a Sagrada Família fugia para o Egito, com medo das espadas dos soldados do Rei Herodes, muitas vezes precisou se esconder no campo, quando os perseguidores chegavam perto.
Numa dessas vezes, Nossa Senhora, escondendo, o Divino Piá, pediu a todos os bichos que fizessem silêncio, que não cantassem, porque os soldados do rei podiam ouvir e vir da fé.
Todos obedecem prontamente, mas o quero-quero, não: queria porque queria cantar. E dizia: Quero! Quero! Quero!E tanto disse que foi amaldiçoado por Nossa Senhora: ficou querendo, até hoje.

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Quero-Quero

Valsa campeira
Letra e música de L. C. Barbosa Lessa

Quero-quero! Quero-quero!
Quero-quero gritou lá em cima,
Quero-quero quando grita
É porque alguém se aproxima.

Quer-quero no meio da noite
Gritou porque viu alguém se aproximar.
Eu, também, na noite da vida,
Enxerguei essa luz que vem de teu olhar.
Mas agora, gauchinha,
Eu grito com todo fervor:
Quero-quero! Quero-quero!
Quero-quero o teu amor!

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LEI Nº 7.418, DE 1º DE DEZEMBRO DE 1980.
Institui como Ave-Símbolo do Rio Grande do Sul o Quero-Quero, Belonopterus Cayennensis.
JOSÉ AUGUSTO AMARAL DE SOUZA, Governador do Estado do Rio Grande do Sul.
Faço saber, em cumprimento ao disposto no art. 66, item IV, da Constituição do Estado, que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono e promulgo a Lei seguinte:
Art. 1º - É consagrada como ave-símbolo do Estado do Rio Grande do Sul a ave "Belonopterus Cayennesis", predominante nos campos gaúchos e popularmente conhecida como "Quero-Quero".
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
PALÁCIO PIRATINI, em Porto Alegre, 1º de dezembro de 1980

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Luiz Carlos Barbosa Lessa

Nasceu em 13 de dezembro de 1929, numa chácara nas imediações da histórica vila de Piratini (capital farroupilha), RS.
Devido à dificuldade para cursar uma escola regular, teve de aprender as primeiras letras e quatro operações com sua própria mãe, a qual, ao se improvisar de professora, também lhe ensinou teoria musical, um pouco de piano e, inclusive, uma novidade na época chamada datilografia.

Indo cursar o ginásio na cidade de Pelotas (Ginásio Gonzaga), aos doze anos fundou um jornal escolar ("O Gonzagueano"), em que publicou seus primeiros contos regionais ou de fundo histórico. E também fundou o conjunto musical significativamente denominado "Os Minuanos" (uma das tribos indígenas no velho Rio Grande do Sul), que pretendia se especializar em música regional gaúcha mas que, por inexistência de repertório àquela época, teve de se conformar com o gênero sertanejo e um tanto de música urbana brasileira.

Para cursar o 2o grau colegial, transferiu-se para Porto Alegre, ingressando no Colégio Júlio de Castilhos. Aos dezesseis anos de idade já colaborava para uma das principais revistas brasileiras de cultura ("Província de São Pedro") e obteve seu primeiro emprego como revisor e repórter da "Revista do Globo".

No ano seguinte participou da primeira Ronda Crioula/Semana Farroupilha e, munido de um caderno de aula para coletar assinaturas de eventuais jovens que se interessassem pelo assunto, tomou a iniciativa para a fundação do primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG), o "35".

Nesta agremiação ele retomou seu interesse pela música regional e, na falta de repertório, foi criando suas primeiras canções, tais como a toada "Negrinho do Pastoreio" - hoje um clássico da música regional gaúcha.

Bacharel pela Faculdade de Direito de Porto Alegre (UFRGS), 1952.

Formando com seu amigo Paixão Côrtes uma abnegada dupla de pesquisadores, de 1950 a 1952, realizou o levantamento de resquícios de danças regionais e produziu a recriação de danças tradicionalistas. Resultado dessa pesquisa da dupla foi o livro didático "Manual de Danças Gaúchas" e o disco long-play (o terceiro LP produzido no Brasil) "Danças Gaúchas", na voz da cantora paulista Inezita Barroso.

Incentivou a realização do Primeiro Congresso Tradicionalista do Rio Grande do Sul, levado a efeito na cidade de Santa Maria, em 1954, quando apresentou e viu aprovada sua tese de base socióloga "O Sentido e o Valor do Tradicionalismo", definidora dos objetivos desse movimentos.

Em 1956 montou um grupo teatral para apresentação de sua comédia musical "Não te assusta, Zacaria!", e saiu divulgando as danças e os costumes gauchescos por todas as regiões do Rio Grande do Sul, colhendo aplausos também nas cidades de Curitiba e São Paulo.

Residiu na capital paulista até 1954, envolvido com produção de rádio, televisão, teatro e cinema, detendo-se finalmente na área de propaganda e relações públicas.
Chefe de grupo-de-criação da Jr. Walter Thompson Publicidade e chefe de relações-públicas do Banco Crefisul de Investimentos.

Voltou a Porto Alegre em 1974, já como especialista em Comunicação Social, tendo trabalhado na Mercur Publicidade e Companhia Riograndense de Saneamento, CORSAN. Aposentou-se como jornalista em 1987.

Entrementes, na administração de Amaral de Souza, foi Secretário Estadual da Cultura, tendo então idealizado para Porto Alegre um centro oficial de cultura acadêmica, que veio a pré-inaugurar em março de 1983: a Casa de Cultura Mário Quintana.

Mantinha pequena reserva ecológica no município de Camaquã, onde residia com sua esposa Nilza, dedicada à produção artesanal de erva-mate e plantas medicinais.
Filhos: Guilherme, analista de sistemas, residente em Porto Alegre e Valéria, casada com norte-americano e residente no estado de New Jersey, USA.

Teve destacado nome na música popular e na literatura. Dentre suas músicas, sempre de cunho gauchesco, destacam-se "Negrinho do Pastoreio", "Quero-Quero", "Balseiros do Rio Uruguai", Levanta, Gaúcho!", "Despedida", bem como as danças tradicionalistas em parceria com Paixão Côrtes.

E numa bibliografia de cerca de cinqüenta títulos, destacam-se os romances "República das Carretas" e "Os Guaxos" (prêmio 1959 da Academia Brasileira de Letras), os contos e crônicas de "Rodeio dos Ventos", o ensaio indigenista "Era de Aré", a tese pioneira "O sentido e o Valor do Tradicionalismo", o ensaio "Nativismo, um fenômeno social gaúcho", "Mão Gaúcha, introdução ao artesanato sul-rio-grandense", o álbum em quadrinhos "O Continente do Rio Grande" (com desenhos de FLávio Colin) e os didáticos "Problemas brasileiros, uma perspectiva histórica"", "Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo", e "Primeiras Noções de Teatro". Também os dois volumes do Almanaque do Gaúcho.

Foi Conselheiro Honorário do MTG - Movimento Tradicionalista Brasileiro.

Faleceu em onze de março de 2002.


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Fonte:
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Próxima semana, o retorno de Krika. Aguardem.
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domingo, 24 de janeiro de 2010

Quero-quero

Ave símbolo dos Pampas Gaúchos, fotografamos este exemplar em União da Vitória, no Paraná!...

O quero-quero (Brasil) ou abibe-do-sul (Portugal) (Vanellus chilensis), também conhecido por tetéu, téu-téu, terém-terém e espanta-boiada, é uma ave da ordem dos Ciconiiformes (anteriormente Charadriiformes), pertencendo a família dos Charadriidae. Em espanhol é conhecido por tero común e em inglês, Southern Lapwing. O nome é uma onomatopéia de seu canto característico.

Trata-se uma ave do tamanho de uma perdiz e caracteriza-se pelo colorido geral cinza-claro, com ornatos pretos na cabeça, peito e cauda. A barriga é branca e a asa tem penas verde-metálicas. Apresenta um penacho na região posterior da cabeça; o bico, os olhos e as pernas são avermelhados e tem um par de esporões ósseos de 1 cm no encontro das asas. Não há dimorfismo* sexual. Mede em torno de 37 cm de altura e pesa menos que 300 g.

O quero-quero é uma ave típica da América do Sul, sendo encontrado desde a Argentina e leste da Bolívia até a margem direita do baixo Amazonas e principalmente no Rio Grande do Sul, no Brasil. Habita as grandes campinas úmidas e os espraiados dos rios e lagoas.

O quero-quero se alimenta de invertebrados aquáticos e peixinhos que encontra na lama. Para capturá-los, ele agita a lama com as patas para provocar a fuga de suas presas. Também se alimenta de artrópodes* e moluscos terrestres.
Os ovos são postos durante a primavera em um ninho feito no solo. Para não rolarem, os ovos têm um formato semelhante a um pião. A casca é pintada com manchas escuras que favorecem a camuflagem em meio à grama alta. Ambos os pais protegem o ninho. Uma das táticas adotadas pela ave é fingir estar ferida quando algum intruso se aproxima do ninho. Outra tática é ir se afastando e levando para longe eventuais agressores do ninho. O macho é agressivo e ataca qualquer criatura que ofereça perigo, incluindo seres humanos.
O quero-quero é sempre o primeiro a dar o alarme quando algum intruso invade seus domínios. É uma ave briguenta que provoca rixa com qualquer outra espécie habitante da mesma campina. As capivaras tiram bom proveito da convivência com o quero-quero, pois, conforme a entonação, o grito dessa ave pode significar perigo. Então os grandes roedores procuram refúgio na água.
Essa característica faz do quero-quero um excelente cão de guarda, sendo utilizado por algumas empresas que possuem seu parque fabril populado por estas aves.

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*Dimorfismo: De dimorfo. Que tem ou pode tomar duas formas diferentes. O quero-quero não se diferencia pela aparência entre machos e fêmeas.
* Artrópodes: Ramo zoológico que compreende as classes seguintes: crustáceos, miriápodes, insetos e aracnídeos.
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Dedicado à Marta.

Fontes:Wikipédia
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
Fotos: Marta Kurigatah / Wikipédia.
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