sábado, 14 de fevereiro de 2009

Nova ortografia - Como será daqui pra frente?

O HÁBITO SAUDÁVEL DA LEITURA

Navegando pela net encontrei esta crônica pra lá de lúdica, além de ensinar a enfrentar com humor as mudanças ortográficas. E claro, provando mais uma vez que podemos aprender brincando...

Uma professora de português pediu à amiga escritora que criasse um conto ou crônica utilizando as novas regras ortográficas para trabalhar com seus alunos adolescentes.

A escritora, depois de muito relutar, acabou cedendo aos insistentes apelos da amiga.
No dia da apresentação da aula, os alunos estavam mais dispersos que o normal. A professora chegou a pensar em mudar o tópico mas as férias estavam chegando e a matéria andava atrasada.

A professora notou que aos poucos seus alunos participavam da aula, fazendo comentários ou complementando alguma parte do texto.

Durante as aulas que vieram depois, surgia um comentário ou outro que trazia a crônica novamente à baila, que era rapidamente integrada à matéria do dia. A turma evoluiu.

As provas mostraram que as novas regras ortográficas foram bem assimiladas pela turma, que obteve a melhor média de notas da escola.

Outra professora resolveu utilizar a crônica em outra escola. O resultado foi animador.
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A crônica
“Como será daqui pra frente?
De: Elida Kronig

“ Estive vendo as novas regras da ortografia.

Na verdade, já tinha esbarrado com elas trilhares de vezes, mas apenas hoje que as danadas receberam uma educada atenção de minha parte.

Devo confessar que não foi uma ação espontânea.

Que eu me lembre, desde o ano retrasado que uma amiga me enche o saco para escrever a respeito. O faço com a esperança de que diminua o volume de e-mails e torpedos que ela me envia. Em suma, que as novas regras ortográficas a mantenham sossegada por um bom tempo.

Cai o trema!
Aliás, não cai... Dá uma tombadinha.
Linguiça e pinguim ficam feios sem ele mas quantas pessoas conhecemos que utilizavam o trema a que eles tinham direito?
Essa espécie de "enfeiação" já vinha sendo adotada por 98% da população brasileira. Resumindo,continua tudo como está.

Alfabeto com 26 letras?
O K e o W são moleza para qualquer internauta, que convive diariamente com Kb e Web-qualquer coisa.
A terceira nova letra de nosso alfabeto tornou-se comum com os animes japoneses, que tem a maioria de seus personagens e termos começando com y. Esta regra tiramos de letra.

O hífen é outro que tomba mas não cai.
Aquele tracinho no meio das vogais, provocando um divórcio entre elas, vai embora. As vogais agora convivem harmoniosamente na mesma palavra. Auto-escola cansou da briga e passou a ser autoescola, auto-ajuda adotou autoajuda.

Agora, pasmem!
O que era impossível tornou-se realidade.

Contra-indicação, semi-árido e infra-estrutura viraram amantes, mais inseparáveis que nunca. Só assinam contraindicação, semiárido e infraestrutura.
Quem será o estraga-prazer a querer afastá-los?

Epa! E estraga-prazer, como fica?
Deixa eu fazer umas pesquisas básicas pela Internet.
Huuummm... Achei!
Essas duas palavrinhas vivem ocupadíssimas, cada uma com suas próprias obrigações.
Explicam que a sociedade entre elas não passa de uma simples parceria. Nem quiseram se prolongar no assunto. Para deixar isso bem claro, vão manter o traço.

Na contra-mão, chega um paraquedista trazendo um paralama, um parachoque e um parabrisa - todos sem tracinho. Joguei tudo no porta-malas pra vender no ferro-velho. O paraquedista com cara de pão de mel ficou nervoso. Só acalmou quando o banhei com água-de-colônia numa banheira de hidromassagem.

Então os nomes compostos não usam mais hífen? Não é bem assim. Os passarinhos continuam com seus nomes: bem-te-vi, beija-flor. As flores também permanecem como estão: mal-me-quer.

Por se achar a tal, a couve-flor recusou-se a retirar o tracinho e a delicada erva-doce nem está sabendo do que acontece no mundo do idioma português e vai continuar adotando o tracinho. As cores apelaram com um papo estranho sobre estarem sofrendo discriminações sexuais e conseguiram na justiça, o direito de gozar e com o tracinho.

Ficou tudo rosa-choque, vermelho-acobreado, lilás-médio...

As donas de casa quando souberam da vitória da comunidade GLS, criaram redes de novenas funcionando por 24hs, para que a feira não se unisse sem cerimônia aos dias da semana. Foram atendidas pelo próprio arcanjo Gabriel que fez uma aparição numa das reuniões, dando ordens ao estilo Tropa de Elite:
- Deixe o traço!
Deu certo. As irmãs segunda-feira, terça-feira e as demais, mantiveram o hífen.

Os médicos e militares fizeram um lobby, gastaram uma nota preta pra manter o tracinho.
Alegaram que sairia mais caro mudar os receituários e refazer as fardas: médico-cirurgião, tenente-coronel, capitão-do-mar.

Uma pequena pausa para a cultura, ocasionada pelo trauma de ler muitas pérolas do Enem e Vestibular. Só por precaução...

Almirante Barroso não tem tracinho. Assim era chamado Francisco Manuel Barroso da Silva. Sim, o cara era militar da Marinha Imperial. Foi ele quem conduziu a Armada Brasileira à vitória na Batalha do Riachuelo, durante a Guerra da Tríplice Aliança. No centro do Rio de Janeiro há uma avenida com seu nome (Av. Almirante Barroso). Na praia do Flamengo, há um monumento, obra do escultor Correia Lima, em cuja base se encontram os seus restos mortais. Fim da pausa!
Acho que algumas regras pra este tracinho, até que simpático, foram criadas por algum carioca apaixonado. Será que Thiago Velloso e André Delacerda tiveram alguma participação nas novas regras?

O R no início das palavras vira RR na boca do carioca.

Não pronunciamos R (como em papiro, aresta e arara), pronunciamos RR (como em ferro, arraso e arremate).

Falamos rroldana e não roldana, rrodopio e não rodopio, rrebola e não rebola.

Pois bem, numa das tombada do hífen, o R dobra e deixa algumas palavras com jeito carioca de ser: autorretrato, antirreligioso, suprarrenal. Será fácil lembra desta regra.
Se a palavra antes do tracinho (nem vou falar em prefixo) terminar com vogal e a palavra seguinte começa com R é só lembrar dos simpáticos e adoráveis cariocas.
Mais uma coisinha: a regra também vale para o S. Fico até sem graça de comentar isso, pois todos sabemos que o S é um invejoso que gosta de imitar o R em tudo. Ante-sala vira antessala, extra-seco vira extrasseco e por aí vai...

Quem segurou mesmo o hífen, sem deixá-lo cair, foram os sufixos terminados em R, que acompanham outra palavra iniciada com R, como em inter-regional e hiper-realista.
Estes tracinhos continuarão a infernizar os cariocas.

O pré-natal esteve tão feliz, rindo o tempo todo com o pós-parto de uma camela pré-histórica que ninguém teve coragem de tocar no tracinho deles.

Já o pró - um chato por natureza, foi completamente ignorado. Só assim manteve o tracinho: pró-labore, pró-desmatamento.

A vogal e o h não chegaram a nenhum acordo, mesmo com anos de terapia. Permanecem de cara virada um pro outro: anti-higiênico, anti-herói, anti-horário. Estou começando a achar que as vogais são semi-hostis com as consoantes...

O interessante é que as vogais quando estão próxima umas das outras, não tem essa de arquiinimigas. Fizeram lipo juntas e conquistaram uma silhueta antiinflacionária de microorganismo. Sumiram todos os tracinhos, notaram?

Vogal-vogal, com as novas regras ficam magrinhas microondas, antiibérico, antiinflamatório, extraescolar...
Uma inovação interessante:

- Podem esquecer o mixto,ele foi sumariamente despedido. Puseram o misto no lugar dele.

Fiquei bolada com essa exceção: o prefixo co não usa mais hífen. Seguiu os exemplos de cooperação e coordenado, que sempre estiveram juntas. Não estou me lembrando no momento, de nenhuma palavra que use co com tracinho.

Será que sempre escrevi errado? Quem diria que o créu suplantaria a ideia!? Teremos que nos acostumar com as ideias heroicas sem o acento agudo.

Rasparam também o acento da pobre coitada da jiboia.

O acento do créu continua porque tem o U logo depois.

Pelo menos a assembleia perdeu alguma coisa...

Resta o consolo em saber que continuamos vivendo tendo um belíssimo céu como chapéu.”

Trabalho apresentado pelos alunos da
7ª série, turma 703:
Renata, Marcela, William, Yasmine e Jeffrei
Professora: Cecília
Semana da Língua Portuguesa
Colégio Bom Pastor
junho/2008



domingo, 8 de fevereiro de 2009

Cemitério de Campanha



Cemitério de Campanha

Autoria: Jayme Caetano Braun


Cemitério de campanha,
Rebanho negro de cruzes,
Onde à noite estranhas luzes
Fogoneiam tristemente;
Até o próprio gado sente
No teu mistério profundo
Que és um pedaço de mundo
Noutro mundo diferente.


Pouso certo dos humanos
Fim de calvário terreno,
Onde o grande e o pequeno
Se irmanam num mundo só.
E onde os suspiros de dó
De nada significam
Porque em ti os viventes ficam
Diluídos no mesmo pó.


Até o ar que tu respiras
Morno, tristonho e pesado,
Tem um cheiro de passado
Que foi e não volta mais.
A tua voz, são os ais
Do vento choramingando
Eternamente rezando
Gauchescos funerais.


Coroas, tocos de vela
De pavios enegrecidos
Que em Terços mal concorridos
Foram-se queimando a meio
Cruzes de aspecto feio
De alguém que viveu penando
E depois de andar rolando
Retorna ao chão de onde veio.


Mas que importa a diferença
Entre uma cruz falquejada
E a tumba marmorizada
De quem viveu na opulência?
Que importa a cruz da indigência
A quem já não vive mais,
Se somos todos iguais
Depois que finda a existência?


Que importa a coroa fina
E a vela de esparmacete?
Se entre os varais do teu brete
Nada mais tem importância?
Um patrão, um peão de estãncia
Um doutor, uma donzela?
Tudo, tudo se nivela
Pela insignificãncia.


Por isso quando me apeio
Num cemitério campeiro
Eu sempre rezo primeiro
Junto a cruz sem inscrição,
Pois na cruz feita a facão
Que terra a dentro se some
Vejo os gaúchos sem nome
Que domaram este Chão.


E compreendo, cemitério,
Que és a última parada
Na indevassável estrada
Que ao além mundo conduz
E aqueces na mesma luz
Aqueles que não tiveram
E aqueles que não quiseram
No seu jazigo uma Cruz.


E visito, de um por um,
No silêncio, triste e calmo,
Desde a cruz de meio palmo
Ao mais rico mausoléu,
Depois, botando o chapéu
Me afasto, pensando a esmo:
Será que alguém fará o mesmo
Quando eu for tropear no Céu???

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A partir de hoje as postagens e as matérias da professora Krika serão publicadas desvinculadas das postagem do Quasímodo e do Juca. Entendemos que dessa forma a pesquisa e a recuperação dos assuntos serão facilitadas além de ficarem mais direcionadas à um público específico.

E ela começa hoje com todo o gás presentenado-nos com esse verdadeiro tratado abaixo.

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Balseiros - Final



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a abertura de novas estradas e a utilização do caminhão como meio de transporte, a madeira deixa de ser escoada pelo rio Uruguai e transita por terra. Essa atividade ocorre com muito menos intensidade, já que o cedro, madeira principal, estava se tornando escasso. Para o balseiro Alfred Gerhd Schefler: “O comércio da madeira com a Argentina começou, mais ou menos, em 1918 e terminou em 1965 porque o governo proibiu”.

Encerra-se, assim, essa modalidade de trabalho tão importante para a região e para esses trabalhadores que tiravam desta atividade, o capital para manter a pequena propriedade de que dispunham. Alguns aplicaram o lucro obtido em outras atividades como o comércio, madeireiras e alambiques. Outros, na terra e na agricultura. Outros, ainda, gastaram seu capital, sem investir em nada.

De um modo geral, desde o Estreito do rio Uruguai, em Marcelino Ramos/RS até Goio-En, em Chapecó/SC, a atividade balseira foi muito intensa. O comércio da região foi financiador dos balseiros e beneficiário deles. Angeli assim descreve: “Uma coisa era evidente: o crédito dado aos balseiros tinha retorno certo. Podia demorar, porque devia-se esperar o regresso de San Tomé, mas voltava.”

O ‘negócio das balsas’ deixou de existir há mais de cinqüenta anos. Sua história hoje é representada nos palcos de teatro, no cancioneiro nativo e em contos da região. A importância maior dessa atividade é que ela representou a principal fonte de renda para muitos trabalhadores e foi fundamental no alicerce da economia regional.

Há muito ainda a ser pesquisado e isso tem sido feito incansavelmente. Pretendemos utilizar a maior quantidade de fontes possíveis, para podermos relatar de forma mais completa essa modalidade de trabalho. Ela foi, durante muito tempo, a principal fonte de renda para muitas famílias da região, além de contribuir para o crescimento econômico e desenvolvimento de muitas cidades do Alto Uruguai catarinense e gaúcho.


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Epílogo

Os primeiros dias após o acontecimento de um fato não rotineiro são sempre cheios de comentários e conjecturas. Com o passar do tempo vai caindo no esquecimento sobrepujado pelas necessidades do dia a dia.

Fora assim quando Vicente não voltou com os outros balseiros. Fora assim com a visita dos engenheiros que mediram as barrancas do rio. Fora assim com os bahianos da barragem.

Quando Fulgêncio não apareceu no Moura, a princípio ninguém deu maior importância. Só a partir do terceiro dia foi que alguém perguntou ao Natalício sobre notícias do velho prático – não tenho visto, sacudiu os ombros e voltou a bebericar o copo de pinga.

Tiço passava na estrada, de volta da aula e Moura chamou-o.

- Por onde anda teu pai, guri? Por acaso anda adoentado?

- Não sei não, seu Moura. Desde tresontonte que não posa em casa.

A partir disso os boatos começaram a ganhar forma e a crescer. O filho mais novo do Céza contou que o velho tinha convidado ele e os irmãos para fazerem uma balsa e descer o rio.

- Uma balsa?... Mas com que tora, se já nem existem mais pinheiros, nem cedros, nem canjeranas?...

- Mas diz que fez, com as galhamas da capoeira e das arve secas da roça de feijão.

- Já não andava bem da cabeça. A cachaça comeu os miolos dele... Só pode.

- Uma balsa, bah!...

No outro dia a noticia já havia se espalhado. Alguns homens se juntaram e bateram o rio pela margem. Os bombeiros vieram da cidade e vasculharam o leito do rio. Um viajante que vinha do Iraí afirmou ter visto uma balsa descendo o Uruguai, passando por debaixo da ponte do Passarinho e sumindo, lá longe, rio abaixo.

- Já faz bem uns três dias, acho.

- Então era!

Outro, da cidade, que fora em caravana pescar na Argentina afirmou tê-lo visto faceiro, amasiado num cabaré em Santo Tomé.

- Velho safado, disse Moura. – Tá lá chineando e sisqueceu de me pagar a caderneta. Me engambelou com cinqüenta e oito contos.

Tiço, que ouvira o comentário, prometeu pagar. Aos poucos, mas pagava. Era só melhorar a venda das frutas.

E assim a lembrança foi morrendo. Vez que outra alguém fazia um comentário, quando viam Elvira ou o Tiço passar na estrada.

Numa manhã, Tiço atravessou a ponte carregando a cesta de frutas como sempre fazia. Já do lado do Rio Grande, em vez de ir para perto do posto policial para onde sempre ia, entrou na trilha do mato. Escondeu a cesta entre as touceiras de samambaias e seguiu adiante, pela margem esquerda do rio, subindo o morro por onde não havia mais trilhas. Seguiu ligeiro desviando dos cipós e dos espinhos até chegar à pequena clareira onde havia uma pilha de pedras e uma cruz pintada de branco, quase escondida por entre a vegetação verde.

Ali, tirou do bolso o papel com o desenho da caravela copiado do livro da escola. Colocou a figura junto à cruz e uma pedra em cima. Benzeu-se pelo sinal e tomou o caminho de volta.

Natalicio o esperava a poucos metros. Seguiram juntos por algum tempo em silêncio. Logo o negro bateu-lhe no ombro e desviou-se para os lados do seu rancho, mais para o alto do morro. Tiço voltou para a estrada, vender frutas.

Quando os bahianos fecharem a barragem, tudo aquilo vai virar água. A cruz, a caravela e o balseiro terão, finalmente, seu merecido e definitivo descanso.
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(A quem preferir ouvir um fundo musical enquanto lê as referências bibliográficas e os créditos, clique no link abaixo. A música está armazenada no Site JMauro - Recomendo minimizar a janela da midi para voltar à leitura)


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ANGELI, Heitor Lothieu. O Velho Balseiro. Porto Alegre: EST Edições, 2000.

AURAS, Marli . Guerra do Contestado: a organização da irmandade cabocla. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1997.

BARBOSA, Fidélis Dalcin. Semblantes de Pioneiros. Porto Alegre: EST Edições, 1995.

BARCELOS V. D. O governo Borges e a indústria da madeira na região nordeste do estado (1928-1989), PUC, 1988

BELLANI. Eli Maria. Balsas e Balseiros no Rio Uruguai (1930-1950). IN Centro de Organização da Memória Sócio-Cultural do Oeste. Para uma História Catarinense: 10 anos de CEOM. Chapecó: UNOESC, 1995.

BELLANI, Eli Maria. Madeiras, Balsas e Balseiros no Rio Uruguai. Florianópolis: UFSC,1991.

CABRAL, Oswaldo R. História de Santa Catarina. Rio de Janeiro: Laudes, 1970.
___________ . A campanha do Contestado . Florianópolis: Lunardelli , 1979.

CARDOSO, Ciro Flamarion e BRIGNOLI, Héctor Pérez. Os Métodos da História. 2a edição, Rio de Janeiro: Biblioteca da História, 1981.

CUNHA, Idaulo J. A Evolução econômico industrial de Santa Catarina. Florianópolis: Ed. Fundação Catarinense de Cultura, 1982.

D’ANGELIS, Wilmar . Contestado: a revolta dos sem-terras. São Paulo: FTD, 1991.

Dicionário Brasileiro Globo. Francisco Fernandes, Celso Pedro Luft, F. Marques Guimarães. 9ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Globo, 1989.

Dicionário do Pensamento Marxista. Tom Bottomore editor. Laurence Hrris, V. G. Kiernan, Ralph Miliband co-editores; [tradução, Waltensir Dutra; organizador da edição brasileira, revisão técnica e pesquisa bibliográfica suplementar, Antônio Moreira Guimarães]. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

FERREIRA, Antenor Geraldo Ferreira. Concórdia: O rastro de sua História. Concórdia: Fundação Municipal de Cultura, 1992.

GERASUL. Os trabalhos e os Dias: Histórias de vida de antigos moradores da barragem da UHE – Itá. Caxias do Sul: UCS, 1985

GERASUL, CSN, Itambé. Itá – Memória de uma Usina . Itá: Gráfica Takano, 2000.

GREGORI, V. Capitalismo, latifúndio, migrações: a colonização do período republicano no Rio Grande do Sul – zona norte e a região de Santa Rosa. PUC, 1988

GOULART FILHO, Alcides. Formação Econômica de Santa Catarina. Florianópolis: Cidade Futura, 2002.

LOWY, Michael. O Método dialético e a teoria política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975 MACHADO, Paulo Pinheiro. Lideranças do contestado: a formação e a atuação das chefias caboclas (1912-1916). Campinas: Ed. da UNICAMP, 2004.

POLI, Jaci. Caboclo: pioneirismo e marginalização. Chapecó: FUNDESTE, 1991.

QUEIROZ, Maurício Vinhas de. Messianismo e conflito social: a guerra sertaneja do Contestado : 1912-1916 . São Paulo: Ática, 1981.

RÜCKERT, A. A produção capitalista do espaço: construção, destruição e reconstrução do território no planalto rio-grandense. Unesp,1991

TEDESCO, João Carlos e SANDER, Roberto. Madeireiros, comerciantes e granjeiros: Lógicas e contradições no processo de desenvolvimento socioeconômico de Passo Fundo (1900-1960). Passo Fundo: UPF, 2002.

VALENTINI, Delmir José. Da cidade santa à corte celeste: memórias de sertanejos e a Guerra do Contestado. Caçador: Universidade do Contestado-UnC , 1998
_______________Tropeiros, Ervateiros e Balseiros: Memoráveis personagens da História do Sertão Catarinense. IN: Ágora: Revista de divulgação científica da Universidade do Contestado. Caçador (SC): UnC, 1994. v.1, nº 1 (jan/jul).

WERLANG, Alceu. A colonização do Oeste Catarinense, Argos, 2002

Referências complementares à estória dos balseiros:

SCHIEFELBEIN, Flamarion Santos. Em revistapersona.com.ar.

JORNAL “O NOVIDADES” – 1904 E 1905.

ALMANAQUE INDÍGENA DO BRASIL

Agradecimentos especiais:

MORAES (o velho) que buscou na memória fatos doloridos do passado.

VICENTE (o real) e à sua família.

Aos irmãos índios da Aldeia e Escola Sapé-Ty-Kó em Água Amarela, interior. À professora que proporcionou essa integração e que não quer ver seu nome divulgado.

Ao Rio Uruguai.
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O HÁBITO SAUDÁVEL DA LEITURA



Ler


Gisele Parreira Pinto


Ler, verbo que faz sublimar os pensamentos, problemas e conflitos. Verbo de pouquíssimas letras, mas de enorme efeito para quem pratica. Efeito que transforma, exalta, enaltece, contribui, valoriza e modifica.

Ler. Prazer de muitos. Momento único, ímpar, o qual se descobre algo sobre si ou sobre o mundo.

Por meio da leitura pode se ir até onde não se imagina; reflete-se o nunca antes pensado; surpreende-se com o insólito. Ler com criatividade e lógica; ler com imaginação.

A leitura o deixa absorto. Para muito longe, você é levado sem precisar ao menos de uma única condução. E assim, a viagem para um mundo novo se inicia, cheia de mistérios. Mistérios que quase sempre são desvendados no desfecho. Sem perceber, sua transformação já aconteceu e você não é mais o mesmo. Você mudou. Tudo isso, sem sair do lugar, sem, às vezes, até desejar.

A leitura tem esse poder, que embriaga e seduz.

Quem ainda não provou desta poção mágica ou quem ainda não foi contaminado pela volúpia do ler, com certeza, não compreende e não acredita nesta sublimação.

Como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade, "Sob a pele das palavras há cifras e códigos". Por isso, permitir-se ser envolvido pelas palavras, cujo poder é imensurável, é como se permitir dançar sua música favorita, pois o lido se mistura com o vivido e para um bom leitor, a leitura é ao mesmo tempo pulsação, gosto e prazer. Logo, quem não lê; não gosta. E o sabor adocicado que se sente ao terminar um livro, nunca será provado. Experimente esta realização. Certamente, você não se arrependerá.

Na verdade, deveríamos sempre consultar os livros, ou melhor, ter um livro ao nosso alcance para uma eventual "fuga" (boa forma de fugir). Essa fuga não é prejudicial à saúde.

Com uma boa leitura, podemos transformar a ignorância por sabedoria; alienação por conhecimento; ociosidade por ação.

Não se esqueça: ninguém evolui sozinho. Portanto, busque no livro sua parceria, seu auto-conhecimento, sua imaginação, seu passatempo, seu lazer, seu prazer. Leia.

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