domingo, 30 de agosto de 2009

Figueiredo



Minha natural curiosidade me fez, a certa altura da vida, buscar a origem de alguns sobrenomes de família.

Foi quando me deparei com esta bonita história.




FIGUEIREDO DAS DONAS

Figueiredo, do antigo português, é sinônimo de figueiral, e designa lugar onde existem muitas figueiras. (Antenor Nascentes, II, 112). Como laranjal, bananal.

Sua origem como sobrenomes está ligada a uma lenda, ocorrida por volta do ano 783, pela qual consta que os mouros, de cultura muçulmana, invadiram a Península Ibérica, onde hoje se localiza Portugal e Espanha, e dominaram toda a região. Como tributo de conquista, o Kalifa, rei de Córdova (Espanha), passou a exigir do vencido Mauregato, Rei de Leão, um tributo de 100 donzelas anuais. Inconformados com essa absurda exigência por terem formação cristã, os fidalgos e o próprio povo ibérico ofereciam resistência toda vez que os mouros passavam para cobrar as mulheres, mas sempre eram vencidos.

Numa dessas ocasiões, os mouros conduziam seis donzelas para o kalifa e, quando passavam por um Figueiredo (ou figueiral) localizado próximo a Viseu, o fidalgo Goesto Ansur, que se encontrava por ali caçando, investiu contra os muçulmanos e, depois de esgotada a munição, armou-se com um pesado galho de figueira, vencendo-os e restituindo as mulheres à liberdade.

Depois de expulsos os árabes da penínsulas como homenagem por aquele ato de bravura, o fidalgo foi agraciado com o sobrenome de FIGUEIREDO com direito a Brasão de Armas.

Também a localidade onde o fato aconteceu passou a chamar-se Figueiredo das Donas, nome que permanece ainda hoje, localizada na comarca de Viseu, em Portugal. Por extensão, todos os moradores daquela localidade passaram a assinar-se “de Figueiredo” que significava “procedente ou originário de”. Assim, além daquele conferido a Goesto Ansur, o sobrenome Figueiredo passou a ter significado geográfico, alcançado a todos os habitantes daquela localidade.

Embora a partir daquele ato todos os seus familiares passassem a utilizar o sobrenome, a genealogia dessa família só é encontrada pela primeira vez com o quinto neto deste Ansur, de nome Soeiro Martins de Figueiredo, conforme registros datados de 1211 e 1245, ao tempo dos reis de portugal, D. Afonso II e D.Afonso III.

Depois, encontramos na história do Brasil, o nome de Jorge Figueiredo Correia, escrivão da fazenda real, que, em 1535, foi donatário da capitania de Ilhéus, localizada entre a Capitania da Bahia e a de Porto Seguro.

A família à qual pertencia o donatário Jorge de Figueiredo Correia era chamada, em Portugal, de “a dos escrivães da fazenda”, já que três de seus membros desempenham aquele cargo: Henrique de Figueiredo, seu Bisavô, foi escrivão da Fazenda do rei Afonso V e de D. João II. Enquanto Rui de Figueiredo, avô de Jorge, desempenhou a mesma função no reinado de D. Manoel.

Jorge de Figueiredo nunca veio ao Brasil. Administrou sua capitania através de terceiros. Casou-se com D. Catarina de Alarcão, e um filho deste casal, Jerônimo Alarcão de Figueiredo, foi pagem de D. João III, o que evidencia a intimidade daquela família com a corte portuguesa.

O primeiro Figueiredo de que se tem notícia que efetivamente desembarcou no Brasil, foi Lourenço de Figueiredo, “fidalgo nos livros d'El Rei”, condenado a degredo na Bahia por haver assassinado um cônego, seu parente. Lourenço aqui chegou em fins do ano de 1536, trazido pelo donatário Francisco Pereira Coutinho, na companhia de seu filho de 12 anos, Jorge Figueiredo Mascarenhas que mais tarde casou-se com Apolônia Álvares, filha do lendário Diogo Álvares Correia , o Caramuru.

A partir de então, por ser sobrenome muito comum, tanto em Portugal como na Espanha, muitos Figueiredos vieram para o Brasil e aqui se estabeleceram.

Texto extraído do ESTUDO DA ÁRVORE GENEALÓGICA DA FAMILIA FIGUEIREDO. Autor: GERALDO FIGUEIREDO

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Tendo salvo as donzelas, D. Guestu desposou uma delas, Orélia no seu paço e para ela compôs o seguinte poema de amor, que é, aparentemente, a mais antiga poesia escrita em língua portuguesa:

Trovas de D. Guestu Ansur

"No figueiral figueiredo
a no figueiral entrey,
seis ninas encontrara
seis ninas encontrey,
para ellas andara
para ellas andey,
lhorando as achara
lhorando as achey,
logo lhes pescudara
logo lhes pescudey,
quem las maltratara
y a tão mala ley.
No figueiral figueiredo
a no figueiral entrei,
Vma repricara
infançon nom sey
mal ouuesse la terra
que tene o mal Rey
seu las armas vsara
y a mim sse nom sey.
Se hombre a mim leuara
de tão mala ley,
A Deos vos vayades
Garçom ca nom sey
se onde me falades
mais vos falarei
No figueiral figueiredo
a no figueiral entrei.
Eu lhe repricara
amim sse nom irey,
ca olhos dessa cara
caros los comprarei,
a las longas terras
entras vos me irey,
las compridas vias
eu las andarei,
lingoa de arauias
eu las falarei.
Mouros se me vissem
eu los matarei.
No figueiral figueiredo
a no figueiral entrey.
Mouro que las goarda
cerca lo achei,
mal la ameaçara
eu mal me anogei,
troncom desgalhara
troncom desgalhei,
todolos machucara
todolos machuquei,
las ninas furtara
las ninas furtei,
la que a mim falara
nalma la chantei.
No figueiral figueiredo
a no figueiral entrei"


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Figueiredo das Donas situa-se a cerca de 6 Km de Vouzela, Distrito de Viseu, e a cerca de 10 Km de São Pedro do Sul, pelo que a principal via de acesso é o IP5. A freguesia é, também atravessada pela Estrada Nacional 228.


A freguesia de Figueiredo das Donas situa-se no extremo norte do Concelho, com uma altitude média de 350m. Apresenta uma superfície de 4,3 Km2 representando a freguesia mais pequena do concelho, com apenas 2% do território total do concelhio. Tem por limites, a Nascente, a freguesia de S. Miguel do Mato, a poente, a de Fataunços, a sul, a de Queirã e, a norte, a de S. Pedro do Sul. Envolvida pelos rios Trouce e Ribamá que passam a norte e a poente, é constituída pelos aglomerados populacionais de Figueiredo das Donas, Real das Donas, Ervedal, Monsanto, Queijão e Fermil.






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13 comentários:

Lu disse...

Além de defensor das damas, era poeta. Gostei desse antepassado seu. Valentão pra caramba!

Bela história!
Beijo amigo.

Quasímodo disse...

Pois é, Lu... Te meta com a raça!...

Eu já estou peleando só com o cabo do facão, mas de olho num galho (baixo) de uma figueira.
Vá que baixe o espírito do Guesto...

Beijo, amiga. É sempre muito bom te ver por aqui, passeando na Torre.

Lu disse...

A alegria é minha, por ter um amigo como você!

Desde que você me contou a história desse antepassado, que me pensei aqui com a minha carreira de botões...é nunca que me meto a besta, com o Quasimódi!

Beijo!

P.S.:Até já comprei o sonrisal.rs

uns... disse...

'
eta história batuta!
fiquei pensando, pensando, pensando...
o neto do ansur, além de figueiredo, era martins... eu sou martins e também sou nogueira, outro toponímico de origem portuguesa...
será que somos primos, sr. figueiredo?
'
não importa a resposta. a pesquisa ficou p/ lá de boa.
beijão, mocinho!
'

Quasímodo disse...

Uns...
Quem pode duvidar de que em algum tempo na história não tenham se cruzado os galhos das nossas árvores? (trocadilho infame... figueiras e nogueiras!) Só mesmo um estudo mais aprofundado poderá comprovar ou não o parentesco. Mas, por via das dúvidas, ainda está em tempo de corrigir esse lapso histórico, se é que houve...

Beijo....

Milly disse...

Gosto disto!
Adoro saber estas coisitas...gostei,viste?
O passado me fascina...me remete pra cozinha da vó,numa noite fria de inverno...qdo ela falava do povo todo que tinha vindo da Itália...e da origem de nossos sobrenomes.
Não que eu tenha prestado atenção na prosa dela,nada disto!
Eu queria mesmo era comer a minestra quentinha...e a desculpa pra tê-la por perto nesta hora,era pedir pra contar causos da parentada...rs
Aos 10 anos a gente pouco quer saber de onde veio Pereiras e Oliveiras...rs
.
Beijos,guri!
.
.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Ó criação victorhuguiana

Preciso do teu imeile como de pão para a boca. Manda-mo já para o hantferreira@gmail.com. É uma ordem!!!!!

Olha, Amigão: todos os sábados publico um textículo no http://sorumbatico.blogspot.com

O de ontem mete iberismos e coisas e tais. Que pode ar confusão... Matérias diferentes daquelas que posto na Travessa. Podes lá ir e postar cumentário (com o). Hoje e todas as semanas. É outra ordem!!!!!!!!! hahahahaha

Quasímodo disse...

É mesmo fascinante a busca das nossas orígens históricas, Milly.
A princípio sempre pensei que Figueiredos fossem todos parentes consanguíneos.
Só mesmo com a descoberta desta história e desse local chamado Figueiredo das Donas é que vim a saber que se tratava de um toponímico, isto é originário de um determinado lugar.
Tentei construir a árvore genelógica dessa familia, mas esbarrei na imensidade da "galharama" com o perdão do trocadilho.

Apareça sempre, guria. É sempre muito bom te ver por aqui.

Beijo.

Quasímodo disse...

Caro Henrique...
Quase nos esbarramos na porta da Torre!
Já conheço o Sorumbático e de lá tenho sorvido magnifícos textos.
Com certeza continuarei marcando presença.
Quanto ao endereço, estará seguindo em breve.

Um abraço, amigo, extensivo à sua Raquel.

Anônimo disse...

Boa noite.
Estive a ler o seu post e, de um modo geral, a informação relativa a freguesia de Figueiredo das Donas e a sua história está correcta.
A poesia "Canção do Figueiral" não é a poesia mais antiga em língua portuguesa (como eu julgava) mas sim um texto apócrifo, de um frade, que agora não me recorda o nome.
Se deseja mais informações acerca desta localidade, pode consultar o blog:
figueiredodasdonas.blogspot.com

Cumprimentos.

Anônimo disse...

Ola, na busca da origem do nome de familia deparei-me com o seu blog eu sou neta de Alexandrino Martins de Figueiredo de Sever do Vouga que calculo seja descendente dos mesmos Figueiredos no entanto parece me dificil comprovar, Se tiver mais informações sobre outros familiares com o mesmo apelido e da mesma região agradecia que me contactasse.

Obrigada

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Mesmo meio antiguinho, não resisto...tenho que dizer que esse
assunto, raizes, origens, genealogia, história de família, que nom tenha, me fascina.
Essa postagem está linda, que lindo nome tem a cidade.
Dizem que meu Paiva também é geográfico, do rio Paiva que passa
lá por Castelo de Paiva, no Norte
de Portugal.
Meu bisavô que era Oliveira, tenho certeza que veio de São Miguel dos Açores. Já o bisavô Paiva, temos que pesquisar....haja fôlego!

Gostei, Clóvis
Umbeijo

Suane Santos disse...

Amei!!tenho 12 anos e meu avô disse que ele tem descendência alemã,e minha avo portuguesa!! Eu amei saber a historia dos meus antepassados!! meu nome e suane santos figueiredo

 
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