sábado, 6 de junho de 2009

Momento de Reflexão

ESTIMULANDO O HÁBITO SAUDÁVEL DA LEITURA



MOMENTO DE REFLEXÃO


Amigos da Torre, faz tempo que não comento minhas experiências atuais, junto ao Projeto “Estímulo À Leitura.” As atividades deste trabalho continuam e indo bem, claro!

Hoje gostaria de acrescentar e contar-lhes sobre uma nova experiência, o Projeto Escola Tempo Integral – PROETI.

Este projeto, creio que existam em outros estados, como em Minas Gerais. Acredito que, dependendo da escola que possua rede física adequada, o trabalho deve estar caminhando bem mais adiantado, visto que primeiramente é necessário ter sala ambiente, somados aos recursos financeiros do governo, entre outras prioridades.
Como ele funciona?

O governo surgiu com a proposta de colocar alunos para frequentarem a escola o dia todo, devido à violência nas ruas, pois seus pais trabalham e entre outros aspectos políticos, sociais, etc, que não vou discorrer aqui. Somados a isto vem à questão defasagem de aprendizagem, e esta é uma oportunidade de juntarmos tudo, aproveitarmos o tempo e formar nestes alunos outros horizontes, além de dar-lhes o usual escolar.

Pois bem, a proposta chegou, a escola se adequou e foi dada a largada.
Como falei no início, a escola precisa ter um espaço, ou seja, uma sala exclusiva para estes alunos. Feito isto a escola buscou no seu quadro de professores efetivos e excedentes, alguém disposto e experimentar praticamente “às cegas” esta nova proposta. Devido à carga horária maior, o professor tem que se doar, dedicar, ter vontade e principalmente acreditar neste novo processo. Tarefa difícil, não? Mas não para por aí. E a tarefa de resgatar estes alunos e fazê-los entender sua finalidade? E a responsabilidade das pessoas envolvidas? E a questão metodológica? Disciplinar? Financeira? E o envolvimento dos pais? Nem imaginam da “missa a metade,” gente!
É uma trabalheira, acreditem!

Pois bem, vou me deter à alguns aspectos que considero cruciais neste processo:
Primeiro que este projeto custeado pelo governo é bom. Segundo, acredito nele sim. Terceiro, importantíssimo: a escola se posicionar diante dos pais envolvidos, para que compreendam a proposta, avaliem, tenham argumentos para críticas positivas ou negativas e valorizem o esforço e dedicação da escola. Depois disso estabelecido, vem a formação junto aos alunos. Lembram das “Pequenas Ternuras” que sempre menciono no projeto “Estímulo À Leitura”? Pois bem, aqui ele entra bonitinho também.

Acredito que tudo na vida tem que ser valorizado e apreciado de forma positiva e sempre agradecer estas oportunidades. São princípios básicos, não?

Para vocês amigos, que saíram do convívio escolar à alguns anos(e mais alguns, risos) vou lhes contar que hoje um aluno de 11 anos chega na sua “cara” e pode até lhe dizer “ Vá tomar no....”. Tudo isso devido à violência, miséria, fome, etc e etc.... Outro dia li uma reportagem louvável sobre pessoas que levam livros nos carros, e ao invés de darem uns trocados ou comprarem balas nos sinais de trânsito, doam estes livros. Hum... Não posso opinar, pois na minha cidade ainda podemos contar os semáforos existentes. Moro numa cidade pequena, com muitos problemas de trânsito, que também não vou me enveredar neles... Mas, será mesmo que um morador de rua vai aceitar o livro e ler com o estômago em frangalhos de fome? Pensem a respeito...

Voltando ao Tempo Integral:
Os alunos hoje chegam à escola sem virtude e valores familiares, claro, eles são filhos daqueles alunos que no passado evadiram-se da escola. Ou mal chegaram à antiga oitava série do ensino fundamental. Ou porque tinham dificuldades na leitura ou na matemática e eram considerados “burros”, sem vontade de aprender e voltados à indisciplina. Portanto, exigir que o aluno não te enfrente com violência verbal e até física é complicado. Imagine dar um grito e dizer: “Seu pai não lhe dá educação?”

Gente, isso é totalmente fora da realidade deles. Obviamente não estou generalizando, existem exceções. Pretendo apenas chegar ao meu ponto de vista, ou seja, escola pública com necessidades escolares urgentes para resgatar, novos planejamentos voltados a esta realidade e pessoas dispostas a arregaçarem as mangas. Difícil, novamente? Sem dúvida!

Não tenho soluções milagrosas, não. Nem sou aquela professora perfeita. Entre erros e acertos, apenas agora, no final de minha carreira descobri que poderia estar nestes projetos há mais tempo. Pena... Mas quem sabe em breve serei “amiga da escola” igual o Toni Ramos... (da propaganda, ou sei lá se já existem atores novos no pedaço, pois sou alérgica a rede globo novelística, (com letra minúscula mesmo!)).

Bem... voltando à vaca fria....Quem dera que meu projeto “Estímulo À Leitura” fosse reconhecido pela Secretaria da Educação. Ele também dá certo, e como! Coitado, ele é o projeto “pobre” da escola. O PROETI é o “rico”. Vocês sabem que eu sou professora excedente, que comecei este projeto para me sentir útil na escola, etc e etc. Se não sabem ou não se lembram, busquem aqui na Torre postagens de novembro de 2008, onde meu amigo Quasímodo discursou com grande propriedade!

Então....Fui convidada para participar do PROETI, pela supervisora “persuasiva” da jurisdição de acordo, anteriormente, com a colega que assumiu o projeto, diretora e supervisora da escola.

Gente que legal!
Cheguei lá e vi materiais didáticos, DVD, TV, Som... Como dizem os internautas de plantão “ úia!”

Lógico, para tudo existem normas e para que esta riqueza seja bem utilizada e preservada, volto à questão das “Pequenas Ternuras”.

No início, os alunos que mal sabiam dizer “bom dia” tinham o espírito de destruidores. Claro, eles acham que a escola é do governo, seus pais também acham, então vamos destruir!

Não seria então conveniente juntar o útil ao agradável?

Juntei o meu lado “lúdico” das histórias de fadas, valores, ternuras e comecei. Fui até buscar ajuda nos livros de Ensino Religioso, onde as virtudes ainda existem. Graças à internet, e editoras das quais colaboram comigo no “Estímulo À Leitura”, consegui bons livros de professores e até colaborei com minha colega da área de Ensino Religioso da escola. Eu fui criada a repartir o pão, ou seja, se eu tenho um bom material didático por que não repartir? Outro valor que aprendi é o agradecimento e a valorização de conquistar as coisas. Então, comecei a incutir nestes alunos as palavras “Muito Obrigado”, “Somos privilegiados por estarmos aqui”, entre outras.

Coloquei um mural feito de E.V.A. com alfinetes na sala para colocar avisos, mensagens. Os alunos fizeram uma “festa” com os alfinetes... Eram para alfinetar os colegas no recreio... Hoje na sala de aula, não existe respeito dos alunos com cortinas, murais, carteiras, cadeiras. E não venham com esta que os professores não zelam! Além disto, eles deveriam chegar educados, não? Mas daí vamos ficar naquele círculo vicioso: Os pais foram nossos alunos e saíram para vida sem grandes sonhos escolares e por aí seguimos em frente sem chegar num denominador comum.

Cheguei, vi o mural quase sem alfinetes e enfeites. Fiquei brava... Exigi educação e modos. Adiantou? Quase nada!
Então vamos às histórias lúdicas com lições de moral, onde os animais nos ensinam virtudes perdidas. O velho ditado “de tanto bater na pedra dura ela fica mole”.
As histórias lúdicas mais uma vez nos dão um banho de sabedoria. Confiram lá no blog projetos e ideias...

Outro exemplo que ouvi de uma professora certa vez, é que seu aluno lhe pediu sugestões de onde ele poderia fazer as tarefas escolares em casa. A professora disse: “na mesa, uai!” Para surpresa da professora o menino não tinha mesa em casa. Ela perguntou onde eles faziam as refeições e ele respondeu: “na mão, uai!”
Visto isso, adiantaria eu esbravejar e pedir educação?
Primeira providência: conscientizá-los do privilégio de serem convidados para o projeto. Para cada sala ambiente o PROETI recomenda o número de 25 alunos. Partimos de alguns requisitos para selecioná-los: sondagem no início dos primeiros meses e as notas do primeiro bimestre, junto aos professores das salas regulares. Isto exige constantes conversas entre supervisores e professores, dado a isto, entre eles o momento do Conselho de Classe. Visto a defasagem de aprendizagem, somamos a necessidade de pais que não têm como deixarem seus filhos em casa, sozinhos. Obviamente, aqui preciso enfatizar que a escola não é creche, ainda mais se tratando de alunos a partir de 11 anos (escola de 6º ao 9º ano do Ensino Básico). Muito junto a isto vem a questão da disciplina: aqueles alunos que não cumprirem as regras não serão bem – vindos. Estou sendo cruel?

Até para comprarmos um pão existem regras, já notaram?

A vida é cheia de normas e nós precisamos cumpri-las para nossa sobrevivência. Se não estipularmos regras nenhum trabalho em conjunto dará resultados. Em tudo é necessário limites. Sendo assim coloquei na sala um cartaz com os direitos e deveres dos alunos e da escola. Sempre que necessário voltamos à leitura, isto para a memória não falhar ...

Sabe o que falta agora? Os pais entenderem nossas atitudes. Estarem próximos ao projeto, manterem contato espontaneamente, sem que mandemos convites por escrito.

Outro fato importante é que “uma andorinha sozinha não faz verão,” precisamos de apoio, cooperação, boa vontade, ideias, sugestões e gente para por a “mão na massa”.
Resumindo tudo, eu estou colaborando na escola com dois projetos: um “rico, o PROETI, e o outro “pobre” o PROELE (inventei agora: Projeto Estímulo À leitura).
Em tempo: Refiro-me a Escola Estadual Coronel Casimiro Osório, Itajubá, MG.

Gostaria de sensibilizar a equipe administrativa da 15ª Superintendência de Ensino de Itajubá quanto à continuação de meu “PROELE”, ano que vem, visto que me afastarei oficialmente dos trabalhos, devidos a minha futura aposentadoria. Obviamente a equipe da supervisão da mesma está ciente, e apoiando. E claro, tenho uma colega muito competente, excedente, disposta a continuar por mim, ela será minha “herdeira” absoluta.

Ainda em tempo, preferi não mencionar detalhadamente os nomes das colegas envolvidas, porque pretendia enviar logo para meu amigo anfitrião “do” (eis outra questão: blog é masculino, Concurdinha diz que está certo referir-se “a” torre pois ela é feminina....Que acham?) Torre das Letras, e não houve tempo suficiente para eu solicitar permissões para publicação destes nomes.

Mais em tempo ainda: O aluno é que cumpre o tempo integral na escola, ou seja, chega as 7:30 e sai às 17:25.Sendo que de manhã frequenta a sala ambiente e de tarde vai para sua sala de aula regular. As atividades da manhã são planejadas de acordo com suas necessidades, incluindo, refeições, banhos, lanches, estudos das disciplinas, tarefas, trabalhos na biblioteca, educação física, recreação, etc.
Publicado por Krika - a professora
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10 comentários:

Anne disse...

Oi, meu querido corcundinhaaaaaaa. Fazia tempo que eu nao passava por aqui e estava com saudade de vc. Por isso vim, pra te deixar um beijo enorme e dizer pra vc mandar notícias qdo puder.

Adorei ler sobre o trabalho da professora... realmente, a educação tem suas muitas dificuldades e desafios hj em dia, mas acredito que, qdo conseguimos modificar, estimular, auxiliar alguma coisa na vida dessas crianças, já vale à pena...

Aguardo notícias suas, meu amigo!

Bjos saudosos.

krika disse...

Obrigada Anne, por ler meu relato.
realmente precisamos fazer a diferença. E esta é minha contribuição. Abraços, krika

Cléa disse...

Ola Krika, obrigada pela visitinha no meu blog, com certeza você é também uma incentivadora à leitura, não conhecia teu espaço, agora que conheço, gostaria que você aceitasse de coração meu selinho da campanha de incentivo da leitura, obrigada, beijos

Géssica disse...

Como sempre digo o trabalho que vc desenvolve é fantástico e as experiências que compartilha são únicas!
Te adoro, amiga!

Anônimo disse...

"Se você desenvolve os hábitos do sucesso, você fará do sucesso um hábito."
Parabens.
Att: Erildo(cantor)

Quasímodo disse...

Olha só a quem a Torre recebeu de visita...

O grande amigo Erildo! Te achegues, vivente, que além de cantor é um grande violonista.

Te abanques, amigo, que a erva é da buena e a prosa de respeito.

Infelizmente, amigo, neste país, mutos talentos como tu, penam muito até serem reconhecidos e valorizados. E muitos ficam restritos ao seu meio de convivência por carregarem consigo a honestidade e a lisura, e não se deixarem corromper pelos apelos comerciais da mídia.

Um grande abraço. As portas da Torre estão sempre abertas à pessoas autênticas e verdadeiras como tu e a amiga Krika.

Quasímodo disse...

Amiga Anne;

Voltastes a admirar a obra que construistes?...

Espero estar sendo merecedor de morar nesta Torre, tão magnificamente enfeitada por ti.

A saudade é mútua. Espero sinceramente poder reatar nossos sempre valiosos bate-papos.

Um beijo, amiga.

rose porto alegre disse...

Obrigada pela visita. Voltem sempre... e parabéns pelo belíssimo trabalho de fazer com que a cultura, na forma de literatura, aconteça.
bjos a todos.

disse...

Ao ler o blog "Filosofar é preciso" da prof.Marise e posts que tratam do assunto indisciplina indignei, por aqui também vejo que não é diferente...chega a ser surreal muitas vezes a barbárie a que chegam as atitudes de certos alunos e o quanto o desgaste e desequilíbrio de alguns professores declinam a boa educação. De fato, muito trabalho para poucos, porém, são pessoas como você que ainda mantêm o máximo do amor à vocação que escolheram para tornar o mundo melhor, a passos pequenos feito os de formiguinhas, mas, incansáveis e lindos exemplos. Bjins e até!

Anônimo disse...

Olá amigo, um Feliz Ano Novo repleto de realizações e que a esperança seja imortal em nossos corações.

"Deus nos impôs limitações mas nos deu a liberdade de sonhar".

Att: Erildo
zuummm!!

 
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