domingo, 30 de janeiro de 2011

REABRINDO A PORTEIRA – A Origem da Imagem do Juca



As portas da Torre reabrem, agora em outra querência.

E ao reabri-las notei os vestígios dos que por aqui passaram durante o tempo em que ficaram fechadas. Aqui um perfume de jasmim, ali um vaso florido, acolá um quadro na parede.

Nas estantes, mensagens carinhosas. No ambiente todo, sinais de afeto.

É para todos que a porteira da Torre se escancara, como sempre esteve escancarado meu coração. A todos que me incentivaram a voltar. A quem me enviou mensagens de Natal e Ano Novo e que não pude retribuir. O faço agora.

Como qualquer recomeço a princípio nos falta o embalo, a seqüência, a rotina.

Dentre as mensagens que recebi, quero abordar hoje, uma em especial e que transcrevo abaixo:
”Amigo, este avatar que usas é um boneco criado pela Prefeitura de Viamão, no Rio Grande do Sul, para homenagear a memória de meu trisavô Serapião José Goulart. Ele foi o maior estancieiro do Rs em extensão de terras e figura peculiar.
Abraços,
Kika Goulart.”

O Avatar à que a Kika se refere, é a imagem que uso aqui para identificar o Juca Melena. Confesso que desconhecia a sua origem, e não há razão alguma para que eu duvide da Kika, embora em pesquisa no Site da Prefeitura de Viamão e no Google, não o tenha encontrado. Eu recebi a imagem desse bonequinho da amiga Lu há muito tempo, como “vingança” de outro que eu a enviara anteriormente, satiricamente a identificando.

Seja como for, Serapião José Goulart realmente existiu e transcrevo abaixo a sua história, extraída do Site da família Thumé, que, por sua vez cita como fonte: Texto e Fotos do Inventário Participativo de Viamão

Na monografia realizada por Carlos Dinarte de Oliveira Kepler, intitulada Blog Memória Viamense: preservação da memória e construção coletiva do conhecimento no Departamento de Memória de Viamão
Porto Alegre 2010 , para a Universidade Federal Do Rio Grande do Sul- UFRGS / Faculdade de Biblioteconomica e Comunicação - FABICO / Departamento de Ciência da Informação - DCI / Curso de Arquivologia, encontramos a foto de Serapião e esposa, exibida ao lado

http://www.scribd.com/doc/33479746/Blog-Memoria-Viamense


Espero poder continuar usando o avatar para identificar o Juca. Afinal, como ele mesmo diz, “tenho miles e miles de fãs espalhados pelo mundo.”

Obrigado e uma abraço, Kika Goulart.

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Ao pesquisarmos os ancestrais da família THUMÉ chegamos ao sobrenome GOULART que vem da avó materna de MARCO, MARIA JOSÉ GOULART nascida na ciade de Viamão/RS, filha de Joao Narciso Goulart e Anna Maria Ozorio, onde encontramos relato curioso sobre a descendência dos Goulart.

Fonte:Texto e Fotos do Inventário Participativo de VIAMÃO.



MEMÓRIA DE SERAPIÃO JOSÉ GOULART

Nascido em Viamão/RS no dia 30 de outubro de 1855, o Coronel Serapião José Goulart foi provavelmente o maior proprietário rural e um dos mais ricos e ao mesmo tempo temidos estancieiros da história de Viamão. Foi membro da Guarda Nacional e conselheiro municipal pór diversas vezes. Em seus dois casamentos teve 14 filhos, todos do primeiro, com dona Silvarina da Silva Goulart. A família foi envolta dos luxos da época, com seus próprios criados, entre estes vários escravos. Falecido em 30 de outubro de 1923, aos 68 anos, deixou um legado de lendas e histórias presentes até hoje no imaginário da comunidade rural do município.


DONO DA TERRA

Tento sido provavelmente o maior proprietário de terras na área rural de Viamão entre o final do século XIX e início do século XX, Serapião José Goulart é um personagem sobre o qual o senso popular elaborou diversas histórias.
Uma delas está relacionada diretamente ao poder conquistado pelo estancieiro e às origens de sua propriedade. Conta-se, por exemplo, que o “ Velho Serapião”, então ainda jovem, teria chegado em Viamão depois de um suposto envolvimento com um crime no município de Rio Grande. De lá teria fugido numa embarcação chegando ao porto de Itapuã. Ao embrenhar-se nos matos dos campos de Viamão, teria encontrado uma estância mantida por padres Jesuítas. Jovem, forte e experiente nas lides campeiras, Serapião acabou integrando ao trabalho da estância, fixando sua moradia junto aos padres.
Conta a lenda que o “Velho Serapião “ acabou proprietário de toda a área de terras ao redor da estância após a morte de todos os jesuítas, pelas mquais ele seria o responsável direto.

A ESTÂNCIA

Sabe-se que Serapião foi um dos maiores estancieiros da história de Viamão e as dimensões de sua propriedade chegaram perto dos 30 mil hectares ou 31 milhões 43 mil 109 metros quadrados (dados do Arquivo Público do Estado). Neste total estão incluídos os seguintes imóveis: a Fazenda Boa Vista, o Campo das Lombas e a Fazenda Santo Antonio ou Capão da Ilha. As propriedades eram dedicadas à produção de gado e seus limites, em 1923, são os seguintes, conforme “Memorial de Medição do Campo de Serapião Goulart e Herdeiros”, encontrado no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, em Porto alegre: “ A Oeste por uma linha reta já demarcada judicialmente, divisa estabelecida para separação da fazenda outrora pertinente a Miguel Vieira de Aguiar daqui pertencem a Domingos Faustino, da qual foi parte integrante o campo medido ao sul pela Lagoa dos Patos, a Leste parte do limite á a mesma Lagoa e entre parte é constituída por uma linha antiga de marcos desde o extremo Sueste do banhado do Baicurú até o lugar denominado Tacurus, ao Norte ainda, parte do campo medindo confronta com terras de Serapão Goulart e outras por uma linha reta, do ponto Sueste do referido banhado a lagoa, e com Terras de Sebastião Fraga ao norte dos Tucurus. São também confrontantes pelo Oeste, o capitão Delfino Vieira de Aguiar e outros e pelo Leste a família Guimarães”. Limites e confrontações são perfeitamente indicados na planta que se encontra no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

O FANTASMA DO VELHO SERAPIÃO

O mítico estancieiro fora conhecido sempre por sua personalidade forte. Homem sem hesitações, era direto e objetivo. Dos seus hábitos cotidianos, o principal are a ronda da propriedade. Sempre acompanhado de um grupo de capangas e da inseparável garrucha, Serapião percorria os limites da estância, afim de assegurar de seus domínios.

As origens das histórias sobre o fantasma do “Velho Serapião” estão relacionadas a esta ronda.

Muito tempo depois de sua morte, ainda era comum identificar nas luzes que se acendiam no campo, no meio da noite, ou no famoso fenômeno do Boi-tatá, o jipe de Serapião fazendo a ronda das suas terras. Arrastar correntes, aparições na sede da velha estância da Boa Vista e as fogueiras que surgiam repentinamente no campo são alguns dos fenômenos presentes em vários relatos dos moradores mais antigos da reião.

AS ORIGENS FAMILIARES

Apesar das lendas atribuírem a origem do estancieiro Serapão José Goulart ao município de Rio Grande, Adonis dos Santos, no livro História de Viamão ( pág.28 desta publicação), identifica Vitorino José Goulart, viamonense, como sendo seu pai. Vitorino José Goulart participou do levante Farroupilha, integrando-se às forças de Bento Gonçalves, então em Viamão, aos 16 anos. Nesta época, estudava em uma escola na sede do município, tendo participado do combate travado próximo às trincheiras da Tarumã.
Depois disso, seguiu para Poncho Verde, onde “num entrevero a pistolas lanças e espadas (..) o cavalo de sua montaria foi ferido, tendo sido preso aquele combatente viamonense e outros companheiros, os quais foram remetidos para a Casa de Correção, em Porto Alegre (Adonis). Solto tentou incorporar-se novamente no bando farrapo, indo parar no Uruguai. Não encontrando as forças de Bento Gonçalves, serviu de peão das tropas que dali vinham para o Rio Grande do Sul realizando o comércio de gado, “ entregando animais por conta do tropeiro a um preço de 2$000 ( dois mil reis) por cabeça”. O pai de Serapião teria regressado a Viamão depois de 20 anos ( aso 36 anos de idade, aproximadamente), tendo encontrado seus pais já falecidos. Adonis dos Santos afirma ainda haver documentos de 1872 que revelam o óbito dos pais de Vitorino – avós de Serapião, vindo de Laguna.
Vitorino José Goulart falaceu em 26 de julho de 1894 e está sepultado no cemitério Dois de Novembro, no centro de Viamão. Um dos filhos de Serapião, conhecido por Corruchinho, levou o nome do avô.

O LUXO

A vida da família era envolta dos luxos da época. Os filhos tinham seus próprios criados e provavelmente haviam escravos, conforme registra um livro da Contadoria da Intendência de Viamão. O Jornal “O Viamonense”, na edição de 15 de maio de 1913, relata a chegada do primeiro automóvel no município como sendo de propriedade de um cunhado e irmã de Serapião.
Em recente entrevista para o Departamento de Memória da SMCET, Dona Bonifácia Goulart da Silva, 92 anos, neta de Serapião, relata a movimentação na sede da Fazenda Boa Vista, onde anualmente se promoviam rodeios patrocinados pelo estancieiro.
Eram muitas as visitas, grande parte das quais para pouso, principalmente em tempos de verão. A comida era farta e a higiene levada ao extremo para padrões da época.

AS RIXAS

São vários os desentendimentos relatados envolvendo o nome e a personalidade austera de Serapião José Goulart. Desde a disputa por uma vaca com um de seus genros, contra o qual teria mandado seus capangas armar-lhe uma emboscada, até as penalidades severas impostas aos seus escravos.

Conforme vários depoimentos orais colhidos na pesquisa de campo do Inventário Participativo, um destes casos está relacionado à função do Cemitério do Morro Grande, cuja área foi comprada por Serapião sob a alegação de que não gostaria de ser sepultado junto a alguns de seus desafetos no antigo Cemitério do Morrinho, nas Lombas.

A HERANÇA

Serapião deixou como herança, conforme documentos encontrados no Arquivo Histórico do Estado, a fazenda “Boa Vista”, o “Campo das lombas”, a fazenda “Santo Antonio”, o montante líquido de setecentos e vinte e quatro contos, duzentos e dezoito mil e oitocentos e cinqüenta e dois reis, 4076 cabeças de gado de cria chucro, 41 cabeças de gado de cria manso, 568 novilhos invernados, 24 touros pastores mestiços, 23 bois mansos, 40 vacas invernadas, 220 éguas em cria de potros, 59 potros, 210 ovelhas, 30 cavalos mansos, um burro manso e uma mula mansa.

OS HERDEIROS

À viúva Alice Monteiro Goulart, sua segunda esposa, coube 2% do total; aos filhos do sexo masculino (Serapião José Goulart Filho, Ignácio José Goulart, José Inácio Goulart, Jovino José Goulart, Victorio José Goulart, Odorico José Goulart, Leocádio José Goulart) foi legado10% do total para cada um e às filhas mulheres ( Silvanira da Silva Guimarães, casada com Victorino da Costa Guimarães; Felisbina da Silva Goulart casada com Narciso José Goulart; Benevenuta da Silva Goulart casada com João de Deus Guimarães; Maria José Goulart casada com João Salermo; Lydia da Silva Goulart casada com Luiz Vieira da Silva; Dorotéa da Silva Goulart casada com Pompeu Vaz Ferreira; e Thereza da Silva Goulart casada com Cristiano Vieira da Silva) coube 4% para cada uma.

“Em nome da Santíssima Trindade em cuja fé nasci e pretendo morrer, estando de saúde e perfeito juízo deliberei fazer um testamento por mim escrito e assinado, e o faço pela forma seguinte: declaro eu sou solteiro e nunca fui casado, sendo já falecido meus pais Inácio José Goulart e Maria José Goulart da Conceição. Declaro que tenho um filho natural que ainda vive com o nome de Serapião José Goulart. Declaro por escritura Pública de 7 de agosto de 1858, lavrada sua nota de tabelião Farias, em Porto Alegre e reconheci como meu filho e legítimo herdeiro agora ser este testamento confirmo o reconhecimento e o instituo meu herdeiro dos meus bens. São estas as disposições de minha última vontade que quero que sejam fielmente observadas depois de minha morte.”

Viamão 22 de agosto de 1891.
(assina Vitorino José Goulart)
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13 comentários:

Gilead Maurício disse...

Que passado heim, Juca!

krika disse...

Toc,toc...abriu......Sucesso......inspiração....dedicação....

Anônimo disse...

"JUCA", ESTOU MUITO FELIZ COM SEU RETORNO, E AO MESMO TEMPO TRISTE PELA SUA PARTIDA, MESMO LONGE, LHE DESEJO TODA A FELICIDADE DO MUNDO E APROVEITO O ESPAÇO PARA AGRADECER POR TUDO QUE ME ENSINOU, COM SUA INFINITA SABEDORIA, ABRAÇO AMIGO, SUCESSO.
CASSIANO

Lu disse...

Mas que barbaridade!!!

Feliz que tenha dado continuidade as escritas, e estou lendo aos poucos tudim.



Beijo!

Anônimo disse...

Oi, Juca Melena.
Infelizmente a Revista de Viamão saiu do ar.O site foi encerrado, mas pode ser vista em cache no Google, pelo site www.revistaviamao.com.br.É onde estava o boneco do Serapão, criado para dar visibilidade a história do município.
O fone da revista é T: (51) 3485 6354 em Viamão-RS.Obrigada pela pesquisa de meu trisavô.Valeu. Voltarei sempre ao lindo blog.Abraços sulinos. Kika Goulart.

Memória disse...

Professora Krika, obrigado por ter divulgado o blog Memória Viamense e a minha monografia.
www.memoriaviamense.com

Um abraço!

jurema disse...

quem diria que eu cresci na fazenda da boa vista ouvindo as histórias macabras,sobre serapião e depois de mocinha fui trabalhar na casa de sua filha teresa goularte a dinha .

Quasímodo disse...

Jurema; O mundo parece memo pequeno. Este blog já teve o privilégio de promover o reencontro de pessoas.

Se quiseres, podes me enviar um e-mail através do endereço: letrasdatorre@hotmail.com para que continuemos a manter contato.

Um abraço.

Serapião Goulart disse...

Nossa olhando esses relatos dos meus antepasados acaba que estimulando a minha arvore genealogica para descobrir mais sobre o passado dos Goulart.


Att: Serapião Goulart da Costa filho de Horacina Goulart da Costa e Jose luis Correa da Costa

Anônimo disse...

Que legal! amei o Blog. Essa virada de ano eu fui para a praia e um primo do meu pai começou a falar da historia de serapião josé goulart que no caso é tataravó do meu pai. Eu ainda quero saber muito mais da história de nossa familia. bjos e parabens! Rafael Goulart

Quasímodo disse...

Fico feliz que tenha gostado, Rafael. Creio que um contato com algumas das pessoas que comentaram nesta página possa lhe ajudar.
Abraço.

carol goulart disse...

Olá sou bisneta de Serapião José Goulart Filho , ou seja , tataraneta do Grandeoso Serapião! Fico feliz pela dedicação a escrita da história da família. Abraço

Anônimo disse...

sou Daniela Silveira Bennett neta de Selma Teresinha , bisneta de Leocadio José Goulart ,tataraneta de Serapião José Goularte.

 
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