domingo, 11 de abril de 2010

Divagações Internéticas



São interessantes a Internet e as relações que nela se criam.

Por certo deve haver, em algum lugar, nalguma academia ou universidade, estudos sociológicos à respeito.

Não li nada, até hoje, algo que abordasse o tema de uma forma abrangente e completa. Nem ouso dizer "definitiva" diante da dinamicidade das relações humanas e das tecnologias.

Mas é inegável que as formas de relacionamento mudaram. A menos de vinte anos nossos amigos se restringiam aos conhecidos da rua, aos colegas da escola, aos parentes próximos.

Hoje tem-se amigos no Japão sem nunca termos visto seu rosto. Namorada em Portugal ou na Nigéria, sem precisar se perfilar diante do espelho, nem ter preocupações se as meias combinam com a cor da gravata borboleta (sou desse tempo...). Nem com o Gumex no cabelo, que ainda haviam abundantes.

Visito as salas de relacionamentos, às vezes. Elas são, ou se pensava serem originariamente, organizadas segundo alguns critérios de especificidade de seus membros: idade, cidade, assunto, interesses.

O que se vê (lê), no entanto, na maioria das vezes, são disputas de egos, necessidades de auto-afirmação, arrogâncias.

Personalidades que, por detrás de um pseudônimo, extravasam frustrações que, na vida real não teriam coragem ou oportunidade de fazer.

Esse é um lado. Existem pessoas que, imagino, são as mesmas quando estão na frente do computador, ou quando estão na horta, na cozinha, no banheiro ou na cama. Percebe-se pela coerência do que escrevem, pela constância das suas opiniões.

Me é custoso aceitar essa forma virtual de relacionamento, dissociada da vivência real. Por isso, antes de me dirigir à alguém na internet, seja em uma sala de chat ou aqui, nesta Torre, parto sempre da premissa de que quem está do outro lado da tela, é um ser humano que merece, no mínimo, o meu respeito. E quando possível, procuro levar um abraço pessoal. Insubstituível forma de demonstrar afeto.

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Watashi wa anata ga suki desu! Watashi mo!
(Manuscrito em uma toalha de papel)

3 comentários:

Fátima N. disse...

___é meu camaradinha, eu às vezes me espanto com maldades vindas da telinha, ainda me espanto...
porém no cômputo final o saldo é positivo, eu dei sorte, encontrei mais quem valeu do que não valeu.
ou sou poliana? sei lá.
só sei que conheço pessoas, e acredito piamente, que são gente de verdade, nada cibernético...né?
.
esperando, sentada na soleira, o abraço que me cabe...rs*
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beijos, querido!
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Lu disse...

Pois, caro cumpadre...Lhe digo que meu faro é bom. Se nas tecladinhas a pessoa não demonstra respeito, e no mínimo mostra-se amável, podicrê no que digo, na vida real não é melhor que isso.

Viu...gostei do texto por dimais da conta! Mas esse troço de namoro pela nétis e de longe, creio que não tenho vocação pra isso.
Perfiro que as meias não combinem, mas quero ver bem de perto.rss

Beeeeijo pra vc, e pra cumadre!

Retalhos disse...

Bem vc....
Pareceu-me estar a tua frente ao ler.
Há muito não te via....
Que td esteja bem contigo.
Meu abraço amigo.
Envia um pra sua mamita.
Não importa a origem, apenas, dê, e pense numa flor, que representa uma pessoa que muito lhe quer bem.

 
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