domingo, 17 de janeiro de 2010

As Neiras




A família das Neiras é numerosa e a cada dia novos membros passam a integrá-la.

Elas nascem assim, de um dia para o outro, sem tempo de gestação. Aliás, se elas fossem gestadas, não nasceriam as Neiras, porque genéticamente não fariam parte da família das Neiras, já que sua principal característica é o absurdo e a burrice.

As Neiras estão integradas em todo o tecido social, desde o "gato" de energia na favela, até os mais altos gabinetes palacianos. E até nas cuecas. Há rumores de que a maioria das Leis e Decretos são diretamente influenciados pelas Neiras.

Elas agem sorrateiramente. Em atos, palavras e atitudes. Em pensamento não, pois as Neiras não tem cérebro.

Um estudo secreto da ONU revela que as Neiras estão vertiginosamente ascendendo na escala social. Quanto mais alto o cargo mais as Neiras se revelam. São as Neiras públicas, que mantemos lá através de nossos impostos e do nosso voto. E o voto das Neiras todas espalhadas pelo mundo.

A repercussão das Neiras públicas (e também privadas) é garantida pelas suas primas da mídia, sinal de que as Neiras dominaram também os órgão de comunicação de massa.

Fisicamente as Neiras não se parecem entre si, podendo, em alguns casos, serem confundidas com outro clã; o das Besteiras. Mas segundo o que o mesmo estudo secreto da ONU revela, há uma forte tendência de que quanto mais bonita fisicamente a pessoa for, maior carga de gene das Neiras carrega. A FAO, órgão da ONU que cuida da alimentação do planeta, diagnosticou que os cosmésticos, diferentemente dos livros, não alimentam o cérebro.

A Torre, cumprindo a sua função social, se propõe a reunir as Neiras que forem identificadas pelos leitores. Basta citar nos comentários, ou no e-mail, dando, é óbvio, os devidos créditos ao progenitor ou progenitora.

Quem tiver dificuldades em encontrá-las, recomendo uma rica fonte: assistir ao Big Brother, à Fazenda ou outro reality do gênero.

Ou a TV Congresso...

Vou ficando por aqui. Já estou começando a me sentir membro da família.

ISSO PEGA!...



___________________


domingo, 10 de janeiro de 2010

O sumiço do tio Tacilio

Era assim que o chamáva-mos. Tacílio, sem o "O" e sem o "C" que tinha no nome de batismo e na certidão.

Nos documentos era Octacílio Ferreira D'Avila. Casado com minha tia Emeri, tia pelo lado materno.

Sumiu...

Sei que hoje em dia muita gente some, pelos mais variados motivos e circunstâncias. Nas grandes cidades isso, infelizmente, está se tornando comum. Crianças desaparem, adolescentes somem.

Tio Tacílio não era criança nem adolescente. Tinha 71 anos. E Lagoa Vermelha no nordeste do Rio Grande do Sul não é nenhuma metrópole. E o lugar onde ele morava, no distrito de Clemente Argolo, que os mais antigos conhecem como Estância Velha, menos ainda. E ele morava no interior desse distrito, onde tinha uma pequena propriedade rural, lavoura e campo, em que cultivava gêneros para a subsistência e criava algumas cabeças de gado. Atividade essencialmente interiorana.

Ele desapareceu numa manhã. Tomou café com a tia Emeri, calçou as botas brancas, e foi arrumar uma cerca. Levou consigo um alicate, um pedaço de arame e o revólver. Não, não estranhem ter ele levado o revólver. É perfeitamente natural naquela região as pessoas andarem armadas, a arma como uma peça da idumentária. Há onças e outros bichos por lá. Um outro tio, o Lorivan, teve sérias baixas em seu rebanho de ovelhas por conta das onças.

Nada mais ele levou. Nem documentos, nem dinheiro, nem roupas limpas.

Sítio pequeno, ao alcance de um grito, ao meio dia a tia Emeri gritou chamando-o para o almoço. Não veio. Nunca mais veio.

Começava aí as buscas. Inicialmente pela tia, depois com os visinhos de perto. Depois do registro da ocorrência, pela polícia, civil, militar e até federal. Nada...

Encontraram o alicate dependurado num arame da cerca e nada mais.
Pensou-se inicialmente ter ele sido atacado por alguma onça. Mas vasculharam cada moita de mato e não encontraram nenhum vestígio. Nenhuma marca de sangue, nenhum pedaço de roupa, nenhum sinal de luta.

Isso ocorreu no final de 2006. Até hoje não temos notícias dele. A agonia da família é grande.

Se alguém tiver alguma informação a dar, por favor, liguem para o número da Delegacia de Polícia: (54) 3358 1247 ou (54) 3358 2247, ou no órgão de segurança mais próximo.

____________

sábado, 2 de janeiro de 2010

Os Votos


Esta mensagem me foi enviada pela amiga Ivete. Atribuída à Victor Hugo, fiquei um tanto surpreso pelo fato de o corcundinha Quasímodo não a conhecer, já que esta criatura procurou se inteirar de toda a obra de seu criador.

Ivete foi à luta, e encontrou o seguinte comentário no site http://victorhugo200anos.vilabol.uol.com.br/obras.htm : “A poesia denominada por vcs de Desejo, na verdade é de autoria de Sergio Jockyman, escritor e jornalista gaucho ainda vivo, se chama na verdade Os Votos, e foi publicada na década de 80 no jornal Folha da Tarde, em Porto Alegre. Gostaria de um mail de contato da Prof de francês q ajudou no trabalho. Se vcs não conseguirem provar a autoria deVitor Hugo, façam a gentileza de colocar no site uma retratação e logo após retirem a poesia, ok? Para comprovar por enquanto a autoria de Sergio Jockyman basta acessar o site de uma leitora de MG: www.felicidadetupinamba.com.br, q carinhosamente fez as palavras de meu pai as dela! Agradeço a atenção. Karel Jockyman.”

Quasímodo também buscou informações e descobriu que no Site http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Politicos/B_SergioJockyman.htm é desfeito definitivamente o equívoco: “IMPORTANTE: esta poesia, de autoria de Sergio Jockymann, publicada em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, circula na internet como sendo de autoria de Victor Hugo, e assim foi publicada originalmente em nosso portal, com o título 'Desejos'. Contactados pelo verdadeiro autor, com muito prazer desfazemos o equívoco, estabelecendo os créditos a quem de direito.”

Assim sendo, pela sua beleza, vai ela aqui publicada, com os créditos atribuídos ao conterrâneo gaúcho, já que o site citado acima a retirou de seu espaço, o que evidencia não terem eles conseguido comprovar a autoria de Victor Hugo. Mas fica aqui o convite: se alguém tiver mais informações à respeito, a Torre agradece.
__________

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.


Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar..

_____________

Feliz 2010 aos amigos

Imagens:

http://melhoresdaweb.com

http://meusrecados.com

_____________

 
Letras da Torre - Templates Novo Blogger